O financiamento para PME sem garantias é possível quando a empresa apresenta organização financeira, planeamento técnico e histórico de cumprimento. Apesar de as PME portuguesas terem de apresentar garantias, outras métricas como liquidez e coerência contabilística ganham cada vez mais peso na decisão dos financiadores.
Índice:
- Financiamento para PME sem garantias: como conquistar crédito mesmo em desvantagem
- Porque tantas PME continuam a ver recusado o acesso ao crédito?
- Financiamento para PME: o que os credores realmente valorizam?
- Quando procurar apoio externo para preparar o financiamento?
O acesso ao financiamento para PME continua a ser uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas pequenas e médias empresas portuguesas. Apesar das linhas públicas e programas de incentivo, muitos pedidos de crédito são rejeitados logo à partida por falta de garantias reais.
No entanto, esta limitação não se resume apenas à ausência de colateral. Muitas vezes, o insucesso na obtenção de crédito está relacionado com a falta de preparação técnica, financeira ou documental das próprias empresas.
Neste artigo, explicamos o que é tido em conta nos processos de financiamento para PME e como preparar a sua empresa.
Porque tantas PME continuam a ver recusado o acesso ao crédito?
Na década após a crise da dívida soberana europeia, vários foram os estudos que revelaram o estado do ecossistema empresarial. Um desses estudos revelou que uma das maiores restrições no acesso ao crédito para PME foi a exigência excessiva de garantias.
Em 2019, cerca de 87% das PME portuguesas tiveram de apresentar garantias, um dos valores mais elevados da Zona Euro, e este requisito aumentou 10,7 pontos percentuais face a 2009.
Fonte: “Acesso ao financiamento das PME portuguesas desde a crise financeira global” (Março 2022), Gabinete de Estratégia e Estudos.
Contudo, os pedidos de financiamento para PME não são recusados apenas por falta de garantias, mas também por fragilidades internas que comprometem a confiança dos financiadores.
O papel das garantias no sistema bancário tradicional
As instituições financeiras baseiam grande parte da sua análise de risco na existência de garantias fiscais, como imóveis, veículos, ou bens patrimoniais, ou seja, bens que possam ser penhorados.
Assim, quando uma PME não apresenta colateral suficiente, a probabilidade de recusa aumenta consideravelmente, independentemente da viabilidade do seu negócio. A verdade é que esta lógica continua a excluir muitas empresas com solidez financeira.
Principais fragilidades internas das PME
Além da falta de garantias, a recusa do financiamento para PME deve-se a fragilidades internas. As mais frequentes incluem:
- Ausência de demonstrações financeiras fiáveis, como balanços atualizados, mapas de fluxos de caixa ou relatórios de gestão.
- Mistura entre contas pessoais e empresariais, o que dificulta a leitura da situação financeira real da empresa.
- Desorganização contabilística, com falhas na categorização de despesas, atrasos no fecho de contas, ou ausência de registos fundamentais.
Estas lacunas, embora possam ser corrigidas, são muitas vezes ignoradas pelos empresários e tornam-se um obstáculo à aprovação de crédito.
Financiamento para PME: o que os credores realmente valorizam?
Embora as garantias reais continuem a ter peso, o perfil financeiro da empresa e a apresentação do pedido tornaram-se fatores decisivos. Portanto, os financiadores procuram sinais claros de viabilidade, previsibilidade e responsabilidade na gestão que melhorem a análise de risco bancário.
Compreender os critérios de avaliação é, portanto, essencial para qualquer processo de financiamento para PME, mesmo sem ativos para oferecer como garantia.
Perfil financeiro sólido e coerente
Francesco Franco, Fundador e Managing Partner da Five Credit, disse ao jornal Eco que apenas 8% das PME nacionais “apresentam três indicadores financeiros considerados ‘bons’ (autonomia financeira, liquidez e rentabilidade)”.
Para transmitir confiança a qualquer entidade, uma empresa deve, portanto, apresentar contas organizadas e atualizadas. Isto inclui:
- Relatórios financeiros bem estruturados (balanço, demonstração de resultados, fluxo de caixa);
- Coerência entre o histórico da empresa e as projeções futuras;
- Estabilidade no volume de negócios, mesmo que modesto.
Planeamento e preparação técnica do pedido
Um dos erros mais comuns nas candidaturas de financiamento para PME é a falta de planeamento. Em consequência, pedidos mal justificados, sem informação suficiente ou com documentos incompletos são, geralmente, rejeitados.
Uma boa preparação envolve:
- Um plano de negócios ou de investimento estruturado, com objetivos claros e metas mensuráveis;
- Projeções financeiras fundamentadas (vendas, custos, cash-flow);
- Justificação concreta do montante solicitado e o seu plano de investimento.
Reputação e cumprimento de obrigações
Mesmo na ausência de garantias, o financiamento para PME é mais provável se a empresa tiver um histórico de cumprimento de obrigações. Os principais indicadores observados incluem:
- Ausência de dívidas à Autoridade Tributária ou à Segurança Social;
- Pagamentos pontuais a fornecedores e parceiros;
- Boa relação com instituições bancárias anteriores (mesmo em créditos pequenos).
Um consultor especializado consegue realizar um diagnóstico financeiro rigoroso à sua empresa. Além disso, também tem o know-how para reunir e organizar toda a documentação relevante, bem como identificar o melhor tipo de financiamento.
Apesar da ausência de garantias, esta não representa, por si só, um impedimento absoluto ao financiamento para PME. Pelo contrário, outros fatores podem compensar esta limitação.
Fale com um consultor VALORA e descubra como tornar a sua PME mais atrativa para financiadores, mesmo sem garantias reais.
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